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sábado, 6 de dezembro de 2008

Em busca do prazer sem compromisso


Independentes economicamente, as mulheres admitem cada vez mais a prática do sexo casual no lugar de relações estáveis e sérias.
Independentes economicamente, as mulheres admitem cada vez mais a prática do sexo casual no lugar de relações estáveis e sérias. Mais espaço no mercado de trabalho, maior independência em relação aos homens, menor repressão social. Estes são alguns dos fatores responsáveis pela mudança do comportamento sexual das mulheres nas últimas décadas. Menos preocupadas com os estigmas sociais, elas estão mais abertas às relações efêmeras, sem compromisso, que muitas vezes podem durar apenas uma noite. Uma pesquisa realizada pela psicóloga Pamela Regan, professora da Universidade da Califórnia (EUA), prova que o comportamento sexual feminino mudou. Depois de entrevistar mil mulheres e mil homens, a pesquisadora revelou que o número de americanas que admitem o sexo casual aumentou 50% nos últimos vinte anos. É o dobro do que no início da década de 80. Outro dado curioso que o levantamento trouxe à tona é que, na hora do sexo casual, a maioria das mulheres escolhe o parceiro pela aparência. No Brasil, apesar de nenhuma estatística confirmar esse comportamento, a tendência do sexo descompromissado também pode ser observada. Segundo Nalu Faria, coordenadora da organização não-governamental Sempreviva Organização Feminista (SOF), em São Paulo, a inserção da classe feminina no mercado de trabalho é o principal fator que levou a essa mudança. “As mulheres de hoje têm mais autonomia financeira e, conseqüentemente, são mais livres para escolher seus próprios caminhos e satisfazer seus desejos da forma como quiserem”, analisa. Sentimento de culpa A mudança de valores da sociedade acabou com o “castigo social”, que, segundo Nalu, gerava nas mulheres um grande sentimento de culpa. “Antigamente, a regra era casar virgem. Os pais jamais perdoariam uma filha que perdesse a virgindade antes do casamento. Agora, esse tipo de cobrança praticamente desapareceu. A exceção é encontrar uma noiva que ainda não tenha tido relações sexuais”, avalia. Não é só a influência da família sobre a vida sexual da mulher que tem cada vez menos relevância. A socióloga e sanitarista Eleonora Menicucci, diretora do Centro de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acrescenta que o papel da Igreja também foi fundamental para essa transformação. “Antes, o sentimento de culpa estava muito ligado à idéia do pecado instituído pela Igreja Católica. Mas conforme a sociedade passou a encarar o sexo com maior naturalidade, a Igreja perdeu força nesse aspecto”, diz a socióloga. “Hoje, as mulheres estão tomando as rédeas de sua própria vida.”Pontos eróticos Associada à independência financeira e social, outra conquista importante para a liberdade sexual foi o conhecimento que a mulher adquiriu de seu próprio corpo. A grande transformação aconteceu na década de 60 com a descoberta das zonas eróticas. Até então, o papel feminino estava restrito basicamente à reprodução e à satisfação do homem. “Mas com a revolução feminista, a mulher conquista o direito de exercer sua vontade sobre o prazer. Ela descobre o clitóris, percebe que pode ter prazer e que também precisa de orgasmo. Enfim, desperta para uma consciência de que tem a mesma necessidade de sexo que o homem”, explica a socióloga. A busca pelo prazer ganhou reforço com o advento da pílula anticoncepcional. “A mulher pôde ter relações sexuais sem engravidar. Isso a fez se preocupar mais com o prazer e ir atrás de relações mais ‘igualitárias’ com os homens”, acrescenta Nalu. Perdas e ganhos Pouco a pouco, a mulher admite a possibilidade de viver relações esporádicas. Flerta com o homem sem medo de punições. Permite-se experimentar, exercer a sua sexualidade livremente. Não se trata de simples compulsão sexual, mas de viver o prazer pelo prazer apenas. “Em alguns casos, a experiência pode até ser uma forma de encontrar o parceiro ideal”, diz Nalu. A grande desvantagem é pensar que isso acontece com freqüência. As chances de uma relação estável começar a partir de uma aventura são ínfimas. Como o nome já diz, sexo casual não envolve compromisso. É diversão.
Há outro aspecto que não pode ser ignorado. Quem pratica esse tipo de sexo precisa estar sempre atento à prevenção de doenças infecto-contagiosas e, claro, à gravidez indesejada. “Esse é um problema mais comum entre as jovens. Elas transam mesmo quando o parceiro não tem ou não quer usar preservativo”, critica Eleonora.

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